2007/12/15

Passageiros entre palavras fugazes:
Carreguem os vossos nomes e vão-se embora,
Cancelem as vossas horas do nosso tempo e vão-se embora,
Levem o que quiserem do azul do mar
E da areia da memória,
Tirem todas as fotos que vos apetecer para saberem
O que nunca saberão:
Como as pedras da nossa terra
Constroem o tecto do céu.
Passageiros entre palavras fugazes:
Vocês têm espadas, nós o sangue,
Têm o aço e o fogo, nós a carne,
Têm outro tanque, nós as pedras,
Têm gases lacrimogéneos, nós a chuva.
Mas o céu e o ar
São os mesmos para todos.
Levem uma porção do nosso sangue e vão-se embora,
Entrem na festa, jantem e dancem...
Depois vão-se embora
Para nós cuidaremos das rosas dos mártires
E viveremos como queremos.
Passageiros entre palavras fugazes:
Como poeira amarga, passem por onde quiserem, mas
Não passem entre nós como insectos voadores
Porque temos guardada a colheita da nossa terra.
Temos trigo que semeámos e regámos com o orvalho dos nossos corpos
E temos aqui o que não vos agrada:
Palavras e pudor
Se quiserem, levem o passado ao mercado de antiguidades
E devolvam o esqueleto à poupa
Numa travessa de porcelana.
Temos o que não vos agrada: o futuro
E o que semeamos na nossa terra.
Passageiros entre palavras fugazes:
Amontoem as vossas fantasias numa
Sepultura abandonada e vão-se embora,
Devolvam os ponteiros do tempo à lei do bezerro de ouro
Ou ao horário musical do revólver
Porque aqui temos o que não vos agrada.
Vão-se embora
E temos o que não vos pertence:
Uma pátria e um povo exangue,
Um pais útil para o olvido e para a memória.
Passageiros entre palavras fugazes:
É hora de vocês se irem embora.
Fiquem onde quiserem, mas não entre nós.
É hora de se irem embora
Para morrerem onde quiserem, mas não entre nós
Porque nós temos trabalho na nossa terra
E aqui temos o passado,
A voz inicial da vida,
E temos o presente e o futuro,
Aqui temos esta vida e a outra.
Vão-se embora da nossa terra,
Da nossa terra, do nosso mar,
Do nosso trigo, do nosso sal, das nossas feridas,
De tudo... vão-se embora
Das recordações da memória,
Passageiros entre palavras fugazes

Mahmud Darwish
Símbolo da cultura da Palestina

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2007/06/16

Em Homenagem a RACHEL CORRIE

No passado dia 15 de Março, decorreram dois anos que uma jovem militante pacifista com 23 anos, perdeu a vida.

Rachel Corrie era estudante na Universidade Olympia (Washington), ela pertencia ao movimento para a justiça e paz e junto com a sua associação pacifista, organizou manifestações pela ocasião do aniversário do 11 de setembro, em memória das vítimas do desastre e da guerra do Afganistão.

Em 2005, Rachel decidiu passar à acção indo para Israel, onde ela estava ligada ao grupo palestiniano Movimento Internacional de solidariedade, com esta associação, ela participava em inúmeras acções, afim de bloquear as Bulldozers Israelitas, que tentavam destruir as casas dos kamikazes e de suas famílias nos territórios palestinos.

A seus amigos, por mail, ela escreveu:

"eles destruem as casas com as pessoas lá dentro, eles não respeitam nada nem ninguém”

No dia 15 de Março de 2005, numa acção em Rafah, junto à fronteira de Gaza, Rachel encontrava-se com os seus amigos para se opor às demolições,

“...ela estava sentada na trajectória da Bulldozers, o condutor viu-a e mesmo assim continuou e passou-lhe por cima”
declarou Joseph Smith, militante pacifista dos E.U.

“ela ficou coberta de terra e depois esmagada”
acrescentou Nicholas Dure, outro militante.

Os colegas tentaram retira-la o mais rapidamente possível, mas já era tarde de mais, já não havia nada a fazer.

Rachel Corrie, 23 anos, perdeu a vida a defender as suas ideias de corpo e alma: o direito dos habitantes palestinianos em ter um telhado e uma terra.

As autoridades israelitas deram uma versão diferente sobre o ocorrido, contradizendo as fotografias e os testemunhos.

A jovem morreu, assassinada de sangue frio numa barbaridade total por somente se opor de forma pacífica às demolições.

Rachel e seus amigos denunciaram que dezenas de casas eram arrasadas em cada dia que passava, os poços de água eram poluídos pelos bombardeamentos nos campos de refugiados de Rafah e que os atiradores israelitas atiravam ao menor movimento nesses campos...

Numerosas acções tiveram lugar em Olympia (Washington) e em todo os EU em homenagem à Rachel.

Não podemos esquecer esta jovem pacifista e a sua coragem face à injustiça palestiniana.
Actualmente, criou-se um grande movimento contra as guerras no mundo; Rachel Corrie é certamente um dos símbolos desse movimento, brutalmente morta por causa dessas guerras que nós tentamos parar.

Em memória aos numerosos mortos do conflito entre israelitas e palestinianos, civis e inocentes. Nós devemos continuar a lutar afim de encontrar uma solução pacifista e duradoura.


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