2007/09/12









Adriano Correia de Oliveira


Introdução

Adriano Correia de Oliveira viveu intensamente, com imenso amor pela vida, construindo inúmeras e sólidas amizades, sempre ao lado do seu povo, sempre com o seu Partido. Fez sempre imensos projectos. Muito concretizou, como a sua obra musical bem o evidência. Outros nunca chegaram a ser concretizados: os anos breves que viveu roubaram-lhe o tempo necessário.
Nunca desistiu de colocar em prática as suas ideias, mesmo até ao dia em que, brutalmente, foi ceifado da vida e da actividade criadora.


Historial

Nasceu em Avintes em 9 de Abril de 1942, no seio de uma família tradicionalista católica.
Ali fez a instrução primária e, depois, no Porto, o curso dos liceus.
Em Avintes iniciou-se no teatro amador e foi co-fundador da União Académica de Avintes.

Em 1959, ingressou na Universidade de Coimbra, para frequentar o curso de direito e tornou-se membro do Orfeão Académico, tendo sido republico na Real Repúbica Ras-Teparta. Foi solista no Orfeon Académico de Coimbra e fez parte do Grupo Universitário de Danças e Cantares e do Círculo de Iniciação Teatral da Académica de Coimbra. Tocou guitarra no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica.
À sua volta, Portugal está sob o peso da ditadura fascista, e a resistência democrática dá e sofre vários golpes. Adriano, sempre activo e solidário, opta pela via da resistência consequente.

Em 1960 inscreve-se no PCP.
A sua intervenção cultural é cada vez mais activa. Faz teatro no Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra, onde representou várias peças, escreve para os Cadernos Culturais e publica o seu primeiro disco com fados de Coimbra.

Em 1961 e 1962, de Norte a Sul do País, realizam-se diversas greves operárias e camponesas.
O 1.º de Maio de 1962 é a maior comemoração de sempre, em Portugal, do Dia do Trabalhador. A União Indiana liberta e recupera Goa. Começa a Guerra Colonial. Há uma tentativa de assalto ao Quartel de Beja. José Dias Coelho é assassinado pela PIDE. Ocorre a espectacular fuga de Caxias.
Em Lisboa, na sequência da proibição, pelo governo fascista, da comemoração do Dia do Estudante, intensificam-se as lutas estudantis, dando início a uma prolongada greve que alastra às outras academias. Mais de 1500 estudantes são presos.
Adriano Correia de Oliveira, então a viver e a estudar em Lisboa, regressa a Coimbra e está presente em todas as lutas académicas. Não deixa de cantar, fazendo o canto participar na luta.
«Eu sou livre como as aves/ E passo a vida a cantar/ Coração que nasce livre/ Não se pode acorrentar», celebrou em verso.

Em 1962, participou nas greves académicas e concorreu às eleições da Associação Académica, através da lista do Movimento de Unidade Democrática (MUD).

Em 1963, Adriano Correia de Oliveira está em Coimbra a viver na República Rás-te-Parta onde funcionará a sede de candidatura democrática às eleições da Associação Académica. Grava um disco emblemático: «Trova do Vento que Passa».
«Foi a partir do acolhimento de uma canção como a “Trova do Vento que Passa” que comecei a sentir verdadeiro gosto por cantar, por fazer a música e, sobretudo, por sentir que estava do lado justo, do lado antifascista», afirmou. A Guerra Colonial alarga-se a outras colónias.

Em 1964, Álvaro Cunhal escreve o «Rumo à Vitória», que viria a ter uma importância determinante na intensificação na luta contra o fascismo e rumo ao 25 de Abril. O general Humberto Delgado é assassinado pela PIDE.

Entre 1966 e 1968, Adriano Correia de Oliveira volta para Lisboa.
Canta, solidário com todas as lutas dos estudantes e dos operários, nunca parou de gravar e de ajudar os movimentos estudantis na luta contra o regime salazarista.

De 1969 e 1973 vivem-se anos históricos na canção de intervenção. São vários os discos então surgidos que irão marcar impressivamente a canção portuguesa. O primeiro disco LP é de Adriano: «O Canto e as Armas». É pela sua mão que muitos novos cantores e músicos surgem.
A televisão cobre em directo um espectáculo de fados e baladas de estudantes de Coimbra, a propósito da Queima das Fitas. De súbito uma voz admirável eleva-se para cantar a «Trova do Amor Lusíada» e «Trova do Vento que Passa». É a voz de Adriano que, com coragem que o acompanhou durante toda a vida, não deixa fugir a oportunidade de enfrentar o poder. A emissão é interrompida.

Em 1971, no Coliseu de Lisboa dá-se o Primeiro Encontro da Canção Portuguesa. Participam Barata Moura, Vitorino, José Jorge Letria, Fausto Manuel Freire, Zeca Afonso e Adriano. Um espectáculo memorável, rigorosamente vigiado pela PIDE.

Com o 25 de Abril a canção salta para a rua e Adriano está na primeira linha. É um dos fundadores no Colectivo da Acção Cultural, participa no I Festival da Canção Portuguesa e no I Festival da Canção Livre.
Anda pelo país fora levando a mensagem do seu Partido, o PCP. Vai aos lugares mais longínquos onde quase ninguém ousa ir. Grava o disco «Que nunca mais» que lhe valeu o título de artista do ano da revista inglesa Music Week.

Em 1975 recebeu o prémio de melhor artista do ano, atribuído pela revista britânica “Music Week”.
Mas nem por isso se deixou paralisar pela prisão das recordações. Continuou o seu combate contra a injustiça social, com uma sofreguidão de gozar o “tempo que passa”.

Passado um ano, pertence ao Comité Organizador da 1.ª Festa do Avante e continua a cantar por todo o país sempre com grande sentido de militância e companheirismo.
A sua presença física, a sua afabilidade e a sua voz impõem-se mesmo em situações complicadas, muitas vezes conseguindo ultrapassar tentativas de boicote.
Finalmente consegue realizar um velho sonho profissional: ser um dos fundadores de uma cooperativa artística «Cantarabril», de onde sairá em violenta controvérsia para entrar noutro colectivo de artistas, a «Era Nova» com muitos dos seus primeiros companheiros de andanças musicais.
Adriano Correia de Oliveira cantou até ao fim da sua vida. Cantou sempre com voz firme as belas canções com que travejava a sua actividade de artista empenhado nas lutas do povo a que pertencia. Assim foi até ao último dia da sua vida em 16 de Outubro de 1982.


Obra

Em 1963 saiu o primeiro disco de vinil "Fados de Coimbra" que continha Trova do vento que passa, essa balada fundamental da sua carreira, com poema de Manuel Alegre, em consequência da sua resistência ao regime Salazarista, e que as suas movimentações levaram a gravar, foi o hino do movimento estudantil.
Em 1967 gravou o vinil "Adriano Correia de Oliveira" que entre outras canções tem Canção com lágrimas.
Em 1969 pública o disco «Adriano Correia de Oliveira» que é distinguido com o prémio Pozal Henriques (1969), a maior distinção da música «ligeira» em Portugal, «Ó Alentejo dos pobres/ Reino da desolação/ Não sirvas quem te despreza/ É tua a tua nação// A Foice dos teus ceifeiros/ Trago no peito gravada/ Ò minha terra morena/ Como bandeira sonhada», cantou.
Em 1970 sai o disco de vinil "Cantaremos"
Em 1971 "Gente d'Aqui e de Agora", que marca o primeiro arranjo, como maestro, de José Calvário, que tinha vinte anos. José Niza foi o principal compositor neste disco que precedeu um silêncio de quatro anos. É que Adriano recusou-se a enviar os textos à Censura.
Em 1975 lançou "Que Nunca Mais", com direcção musical de Fausto e textos de Manuel da Fonseca. Este vinil levou a revista inglesa Music Week a elegê-lo como "Artista do Ano".
em 1980 Fundou a Cooperativa Cantabril e publicou o seu último álbum, "Cantigas Portuguesas",


Foto Carlos Froufe



A sua voz ímpar distingue-se pelo timbre e pela clareza.

Fontes
www.pcp.pt
www.Avante.pt
Wikipédia
www.rtp.pt



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