2007/07/20

Linguagem e medo global

Na era vitoriana as calças não podiam ser mencionadas na presença de uma menina.

Hoje não fica bem dizer certas coisas na presença da opinião pública.

O capitalismo ostenta o nome artístico de economia de mercado, o imperialismo chama-se globalização.

As vítimas do imperialismo chamam-se países em vias de desenvolvimento o que é como chamar crianças aos anões.

O oportunismo chama-se pragmatismo, a traição chama-se realismo.

Os pobres chamam-se carentes ou carenciados, ou pessoas de parcos recursos.

A expulsão das crianças do sistema educativo é conhecida sob o nome de abandono escolar.

O direito do patrão a despedir o operário sem indemnização nem explicação chama-se flexibilização do mercado laboral.

Existe hoje uma palavra mais moderna flexigurança. Sempre a evoluir.

A linguagem oficial reconhece os direitos das mulheres entre os direitos das minorias, como se a metade masculina da humanidade fosse a maioria.

Ás torturas chamam-se pressões legais, ou também pressões físicas sicológicas.

Quando os ladrões são de boas famílias, não são ladrões mas sim cleptómanos.

O saques dos fundos públicos pelos políticos corruptos responde pelo nome de enriquecimento ilícito.

Os mortos em batalha são baixas, e as de civis que as acompanham são danos colaterias.

ASSIM VAI A VIDA

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