2007/05/26

Lisboa, o enfado e a desmotivação

Era meia-noite e meia, desisti e fui dormir depois de assistir a quatro experts a falar sobre Lisboa. Não se distinguiam os prós e os contras, e os de direita não foram menos catastrofistas como aqueles que Fátima, a manipuladora, apresentou à esquerda. Não hão-de as pessoas andar baralhadas!
Tudo mal em Lisboa e os responsáveis nicles. Somos nós todos, dizem eles.
As senhoras que os deram à luz , estou certo, não terão culpa.
O discurso, também deturpador da realidade, e das responsabilidades, poderá
ser debitado ao contrário. Vejamos.

O Rossio e a Praça da Figueira foram remodelados; o Chiado foi dinamizado e é frequentado por muita gente; O Bairro Alto, mantendo jus à sua tradição de local de lazer, está muito melhor e junta muita juventude; a rede do metropolitano continua a aumentar e os autocarros a funcionar; a zona ribeirinha, especialmente a oriental, deixou de ser uma lixeira de muitos
quilómetros; Alfama e o Castelo estão muito diferentes; vêem-se cidadãos a correr junto ao Tejo e até por dentro da cidade; passam caravanas de ciclistas; a oferta cultural da cidade aumentou; demoliram-se as barracas construíram-se hotéis por todo o lado; há novos espaços abertos à população como, por exemplo, o parque das Conchas e dos lilases no Lumiar, etc. ,etc.
Esqueceram-se, até à meia-noite e meia, de falar dos cidadãos de Lisboa que estão desempregados ou com trabalho precário e da diminuição do poder de compra da generalidade da população; do estímulo ao individualismo que é contrário a tudo o que é participação colectiva; não estiveram interessados em explicar as razões da especulação imobiliária, das pessoas que são varridas da cidade para os subúrbios (Amadora, por exemplo) em condições piores do que tinham em Lisboa; da política de solos; das rendas e dos empréstimos para a habitação; do boicote que tem sido feito às associações de cultura e recreio; do fim dos jogos da cidade; do fim das unidades industriais; da pobreza que cada mais é visível para todos; da falta de planeamento para colocar a cidade ao serviço dos cidadãos; dos planos de cedência da zona ribeirinha para fins privados (sedes de fundações e hótéis de luxo), em vez de a pôr ao serviço da fruição do lazer dos lisboetas; das pessoas que ainda utilizam balneários públicos que felizmente ainda existem em algunas colectivaddes por não terem condições de habitação; etc., etc.
Sobretudo não falam da involução que houve na política iniciada depois do 25 de Abril, na capital e no país. Quem é que praticou a política de direita, a favor do grande capital. Dos interesses imobiliários. Querem desmotivar as pessoas convidando participantes reconhecidamente de direita e outros a defender o mesmo como se estivessem a defender políticas de esquerda. É a baralhação, do todos iguais, com vista à desmotivação, a ganhar o voto e a continuar o fartar vilanagem.
De alguém, que não sei quem

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